Alexandra Deitos
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Autor

Alexandra Deitos

Alexandra Deitos

Nasci numa cidade interiorana do Rio Grande do Sul, onde vivi os primeiros anos da minha vida até terminar o ensino médio. Então, ainda menor de idade, saí de casa e vim parar na cidade de São Paulo, onde estou até hoje. Na área das Artes e Design me formei Bacharel em Têxtil e Moda pela Universidade de São Paulo | USP e Atriz pelo Teatro Escola Macunaíma, entre outras pequenas formações aqui e ali. Atuei na cena cultural através de projetos de light design e traje de cena por mais de uma década, quando inesperadamente me encontrei no caminho com o mundo canino. Estudei Comportamento Animal e o uso de metodologias educativas com enfoque Positivo e de Bem-estar Interespécies com Dante Camacho, Tudo de Cão, Universidade de Edimburgo, entre outros. Fundei a Pompom's House. Um espaço de hospedagem, convivência e socialização canina, onde, no momento, exploro minha experiência em Educação e Comunicação Canina, Manejo de Grupo e Diretrizes para Sociabilização. Você pode me conhecer de um desses períodos da minha vida. Ou, ter acabado de saber da minha existência nesse mundão. Não importa. Fico feliz que estejas aqui, e espero que algo do que eu compartilho seja troca e partilha contigo.

Crônicas-quase

Um dia de amigos

por Alexandra Deitos julho 20, 2010
Os amigos. E então, dizem que existe um dia para eles – 20 de julho! (todas as coisas bonitas sempre são em julho! rss) Histórias não faltam, palavras bonitas também não, mas já se sabe que datas ou dias especiais são apenas aquele blá blá blá todo e que o que realmente importa são todos os dias, são todos os momentos, cada detalhe de uma vida inteira… Ainda assim, chega o dia do amigo e você sente que tem um dever a cumprir, que precisa lembrar seus grandes amigos o quanto eles são importantes para você, o quanto eles são seus amigos e que você não esquece jamais que esse é o dia mais que especial deles. E qual o problema, não é? É sempre bom dizer que amamos quem amamos, é sempre importante dizer para as pessoas que elas são importantes… sempre!, mas se temos um dia para isso, a gente diz tudo isso nesse dia também. rss
Então,
Vocês que acrescentam variações fundamentais na minha construção de vida, me confundem e me dão certezas, são duros e jogam confetes, são presentes e distantes, são diversos e são iguais, mas todos, todos vocês que são um pouco de tudo e no fundo tudo de um pouco absurdamente grande: amigos, sem mais descrições, sem grandes delongas, sem grandes racionalismos: apenas e maravilhosamente AMIGOS! Eu sou muito feliz em tê-los como partes na minha vida. Sou imensamente feliz em também estar em partes de suas vidas. E isso é o que é, é o que somos: felizes com nossas amizades!!
Feliz dia do amigo a todos vocês! 
É o que singelamente me ocorreu dizer-lhes hoje!
julho 20, 2010 2 comentários 119 Visualizações
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Crônicas-quase

HISTÓRIAS

por Alexandra Deitos julho 19, 2010
Há histórias que impressionam a gente, incrivelmente nos deixam em estados.
E aí havia as histórias que ela não conhecia, não fazia questão de conhecer… na realidade, no fundo, lá no auto-engano, era aquele tipo de história que se sabe mas não se sabe, que se prefere não ouvir, ignorar, deixar como algo incerto, impreciso, deixar como um talvez.
E as horas do dia, os sopros dos ventos, o sol e a chuva, são o que são: inerentes as vontades. As palavras desenhadas num campo de visão além, a melodia de uma contação, e o estupor do que não se quer, aquela paralisia diante do que corre intermitente.
Depois disso, como dizia uma mãe, vem o peso do saber. Quando se ignora alguma coisa, quando se é ignorante em algo: tudo nos é tomado com um peso. Agora quando se sabe de alguma coisa, quando se é conhecedor de algo: tudo nos é tomado com outros pesos.
Nada disso tudo é de alguma forma razão. A intensidade que é não permite entendimentos. E se fosse possível fazer um gráfico do instante que não se sabe até o instante que se sabe ele seria o trajeto de um jogo de Pinball. De certa forma a bolinha nunca para, e se ela chegar a cair no desfiladeiro às palhetas ainda continuaram a se mexer por um período e as luzes nunca deixaram de piscar.
De certo modo essas histórias que impressionam, você as escuta e continua sem as conhecer, você as recebe numa bandeja coberta com algumas pétalas de rosas e depois de descoberta você continua sem as ter – porque não lhe pertencem.
Vocês estão caminhando pelo bosque e, sempre começa pelo bosque, a história é do outro, mas chega até você, e esses são os passos que criam os ritmos, que acertam a partilha do lado a lado, creio eu… é o sentido que encontro.
Ser o hoje na estrada. Ser cada um indivíduo de si próprio, não esquecendo as linhas limites e cruzando as outras.
julho 19, 2010 0 comentários 84 Visualizações
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Lirismos

ELA

por Alexandra Deitos julho 19, 2010
Os toques, os beijos, a contemplação… tomando proporções maiores, maiores e maiores. O minuto que não te vejo transforma o tempo em imensidão, e quando o tempo que te vejo não é nosso uma estranha saudade fica. Eu quero te olhar, quero conversar, quero amar, quero te fazer bem, mas há um cansaço que me vence e me desfalece quando eu deveria jamais dormir na tua presença, há também um silêncio que se faz maior quando você diz que lindo é resposta pouca, porque para mim lindo é tudo aquilo que é muito maior, inominável. E eu fico com medo. Medo do gosto ridículo que é o adorar. Medo do seu riso maduro da minha meninice desconcertante. Talvez medo comum que uma paixão causa antes de transmutar-se em amor. Ou então, o medo do vislumbre de uma construção que se prenuncia avassaladora. Mais sensatamente talvez o medo venha da insegurança diante da felicidade do hoje não eterno. E assim faço palavras num papel… onde tudo é sensação, mas também onde o sentir mais puro ganha um quê de materialidade, porque eu não sou poeta, nem poetisa, não tenho títulos, não manejo bem as palavras, mas uso-as como flores que nascem das sementes de sentimentos que chuviscam de dentro de mim. Esse mim do qual você disse alguma coisa que eu não compreendi bem ainda… e como ainda não soube te dizer quem é o você que eu vejo. Mas sentir, simplesmente sentir, é tudo o que pode ser salvo sempre, porque as questões existenciais chegam no tempo preciso. O universo é um todo só… e a gente deixa a complexidade movimentar a roda simples – e então: o mundo fica de um tom lindo!
julho 19, 2010 0 comentários 94 Visualizações
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Lirismos

A simplicidade da vida

por Alexandra Deitos julho 6, 2010

Vem… me dê a mão que agora eu já não tenho medo.
Vem… me olhe nos olhos que eu já não tenho vergonha.
O medo se dissipa quando junto a gente respira.
E a vergonha se perde nos dias que se transformam em antigos.
Simples é o que uma menina pode achar da vida… e errado não é.
Se ela conseguir manter isso quando for mulher, errado também não será.
Não consigo ver muito bem a dissociação de menina e de mulher.
Também não consigo ver a dissociação de qualquer ser humano.
Errado não deve ser se eu continuar achando que não há.

julho 6, 2010 2 comentários 119 Visualizações
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Interferências

E perto, é um lugar que existe?

por Alexandra Deitos junho 29, 2010
LONGE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE
de Richard Bach
— Rae! Obrigado por me convidar para a sua festa de aniversário! Sua casa fica a mil quilômetros da minha e viajo apenas pela melhor das razões. E uma festa para Rae é a melhor e estou ansioso para estar ao seu lado. Começo a viagem no coração do Beija-Flor, que há tanto tempo você e eu conhecemos. Ele se mostrou amigo como sempre, mas ficou espantado quando lhe disse que a pequena Rae estava crescendo e que eu estava indo à sua festa de aniversário, levando um presente.  Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele disse:
— Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é o fato de estar indo a uma festa.
— Claro que estou indo a uma festa. — respondi. — O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Ele ficou calado e só voltou a falar quando chegamos à casa da Coruja:
— Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se quer estar com Rae, já não está lá?
 — A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. — falei para Coruja. Parecia estranho dizer “indo” depois da conversa com Beija-Flor, mas falei assim mesmo. Ela voou  em silêncio pôr um longo tempo. Era um silêncio amistoso, mas a Coruja disse ao me deixar em segurança na
casa da Águia:
— Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ter chamado sua amiga de pequena.
— Claro que ela é pequena, porque não é crescida — respondi. — O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Coruja fitou-me com os olhos profundos, cor de âmbar, sorriu e disse:
— Pense a respeito.
— A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. — falei para Águia. Parecia estranho falar agora “indo” e “pequena”, depois das conversas com Beija-Flor e Coruja, mas falei assim mesmo. Voamos juntos, subindo nos ventos das montanhas. E Águia finalmente disse:
— Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é essa palavra aniversário.
— Claro que é aniversário. — respondi. — Vamos comemorar a hora que Rae começou e antes da qual ela não era. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Águia curvou as asas para a descida e foi pousar suavemente sobre a areia do deserto.
— Um tempo antes de Rae começar? Não acha que é mais a vida de Rae que começou antes que o tempo existisse?
— A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. — falei para Gavião. Parecia estranho falar “indo”, “pequena” e “aniversário”, depois das conversas com Beija-Flor, Coruja e Águia, mas falei assim mesmo. O deserto se estendia interminavelmente lá embaixo e ele finalmente disse: 
— Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é crescendo.
— Claro que ela está crescendo — respondi. — Rae está mais perto de ser adulta, mais longe de ser criança. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Gavião pousou finalmente numa praia deserta.
— Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer.
E Gavião alçou vôo e foi embora.
Eu conhecia o bom senso de Gaivota. Voamos juntos, pensei com muito cuidado e escolhi as palavras, a fim de que, ao falar, Gaivota soubesse que eu estava aprendendo:
— Gaivota, por que está me levando a voar para ver Rae, quando na verdade sabe que estou com ela?
Gaivota sobrevoou o mar, as colinas, as ruas, pousou suavemente em seu telhado e disse:
— Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas e pessoas e pássaros. Mas deve se lembrar sempre que não saber não impede a verdade de ser verdadeira. E Gaivota se foi.
E agora é chegado o momento de abrir o seu presente. Presentes de lata e vidro amassam e quebram um dia, somem para sempre. Mas eu tenho um presente melhor para você. É um anel para você usar. Cintila com uma luz especial e não pode ser tirado pôr ninguém, não pode ser destruído. Somente você, no mundo inteiro, pode ver o anel que lhe dou hoje, como fui o único que pude vê-lo quando era meu. O anel lhe dá um novo poder. Usando-o, você pode alçar vôo nas asas de todos os pássaros que voam. Pode ver através dos olhos dourados deles, pode tocar o vento que passa pôr suas penas macias, pode conhecer a alegria de se elevar muito acima do mundo e suas preocupações. Pode permanecer no céu pôr tanto tempo quanto quiser, através da noite, pelo descer do sol; e quando sentir vontade de outra vez descer, suas perguntas terão  respostas, suas preocupações terão acabado. Como tudo o que não pode ser tocado com a mão nem visto com o olho, seu presente se torna mais forte à medida que o usa. A princípio, pode usá-lo apenas quando está fora de casa, contemplando o pássaro com quem você voa. Mais tarde, porém, se usá-lo bem, vai funcionar com pássaros que não pode ver, até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do anel nem de pássaro para voar sozinha acima da quietude das nuvens. E quando esse dia chegar, deve dar seu presente a alguém que saiba que irá usá-lo bem, alguém que possa aprender que as coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.
Rae, este é o último dia especial de comemoração a cada ano que estarei com você, tendo aprendido com os nossos amigos, os pássaros. Não posso ir ao seu encontro porque já estou com você. Você não é pequena porque já é crescida, brincando entre suas vidas como todos fazemos, pelo prazer de viver. Você não tem aniversário porque sempre viveu; nunca jamais haverá de morrer. Não é a filha das pessoas a quem chama de mãe e pai, mas a companheira de aventuras delas na jornada maravilhosa para compreender as coisas que são. Cada presente de um amigo é um desejo de felicidade. É o caso do anel. Voe livre e feliz além de aniversários e através do sempre. Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não pode jamais terminar.
junho 29, 2010 0 comentários 101 Visualizações
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Contos-quase

E então…

por Alexandra Deitos junho 29, 2010
…ela acordou com uma tristeza comum, a tristeza de sentir o peso da liberdade. Saltitava na subida das montanhas, buscava belezas nos subterrâneos dos poços, tentava sempre perceber o lado melhor, mas era inevitável ter a tristeza e o peso como presenças que se impõem sem permissão. Sentia o vento quebrando-a ao meio, os carros atropelando-a nas esquinas, as chuvas de verão afogando-a.
…ela ligou para a mãe, como todo filho faz. Não falou das angústias, nem das lutas, nem das derrotas, mas jogou conversa fora, perguntou da saúde e cobrou uma visita. Num “alô” a mãe oferecia uma infinidade de gaiolas das mais diversas cores, tamanhos e tipos. Num “tchau” a filha renunciava as comodidades e maravilhas de um mundo superprotetor.
…ela seguiu mais uma vez com as alegrias ingênuas, guardou as dúvidas numa caixinha de onde tirou porções de espinafre. Sua vida não possuía certificado de garantia, independe da relutância em viver com ou sem gaiola, mas se fosse bem cuidada isso não teria importância alguma, talvez.
junho 29, 2010 0 comentários 99 Visualizações
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Lirismos

SEMPRE ELA

por Alexandra Deitos junho 25, 2010
porque quando não se quer, não há
porque quando se quer, já era
à todo momento
em algum lugar
se perde alguma coisa
alguma coisa se acha
porque alguns abraços prendem
porque algumas coisas são assim
simples
estranhas
engraçadas
gostosas
nos meus olhos azuis, eu vejo
suas pintas de castanho claro
e os nossos cabelos
eu tive medo
tenho e terei
na deriva do sentimento
ao perceber o quanto já gosto
gostava e gostarei sem ter controle
junho 25, 2010 0 comentários 97 Visualizações
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Crônicas-quase

Hoje sobre ontem. Ontem sobre hoje.

por Alexandra Deitos junho 16, 2010
Há inúmeras coisas que parecem ultrapassadas e, no entanto, são atemporais. Com constância o mundo se renova, as coisas repetem-se, o que já foi volta adquirindo desdobramentos e novas roupagens para o amanhã. O carro que ultrapassamos agora e perdemos de vista no retrovisor lá na frente nos ultrapassará. A paisagem que vemos no retrovisor vai se modificando, mas sempre há algo refletido no retrovisor.
Um carro, dois carros, três carros, inúmeros carros estraçalhados nas pistas. Jovens lavando metrôs e ônibus com vômitos. Pais de família gastando seus salários mínimos em foguetes e bebidas alcoólicas. Seres humanos sendo agredidos por outros seres humanos. Desperdícios de vida em esquinas, contentamentos com o período de folga do trabalho – ilusório, visto que pagamos por qualquer folga, por qualquer acidente, por qualquer coisa nesse império capitalista.
Ontem era o dia do primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2010, esta que neste ano está movimentando milhões de pessoas, e, lógico, de dinheiro na África do Sul. Embora talvez abafado pela festa e algazarra mundial, a África ainda é aquele mesmo país que sempre foi líder dos maiores índices de pobreza, estupro, desnutrição, e sempre esquecido do mercado turístico. O clima é de festa, de uma grande festa, e ninguém está interessado nos assuntos maçantes e reais do país alheio, até do seu próprio país já é pedir demais. Com festa ou sem festa tem muita coisa que fica na paralela da vida, abafados por euforias de escape. Quem sabe a miséria maior mesmo nem esteja no país, no mundo, na humanidade, e sim, no próprio indivíduo. A pobreza maior no mínimo começa mais em baixo – em cada ser humano, em cada atitude, em cada pensamento.
Quando cheguei em casa ontem, às 14horas de uma tarde de terça-feira ensolarada, eu possuía o tempo. Poderia fazer o que desejasse, o tempo era meu, ver o jogo, não ver, dormir, estudar, não fazer nada, não havia uma questão existencial, apenas opções. O vazio de ser dono de si, de ser dono de uma quase liberdade, o quase poder de se ter o tempo… não sabemos o que fazer com isso. Quando ganhamos uma coisa que não sabemos usar, desperdiçamos – como um livro, que relido anos mais tarde pode parecer bem mais proveitoso que no primeiro momento.
Assim contento-me hoje de ontem ter desperdiçado minha vida sem prejudicar ninguém. Contento-me em ter feito dos cartões postais uma obra de arte singela, a qual eu verei com alegria toda noite quando retornar para casa após um dia de esforço em não prejudicar ninguém. Enquanto nas ruas, mais tarde, eu via a degradação de vidas desperdiçando outras vidas. Enquanto em algum lugar um amigo era agredido banalmente. Enquanto uma parte do mundo se fantasiava de verde amarelo e mostrava sua cara cinza de pobreza… há também os que misturam o verde e amarelo e criam outras cores para usar no rosto. Há os que sonham em voltar para casa sem prejudicar ninguém e conseguir um dia algo além: ajudar alguém. E sonham que essa meta solitária um dia seja tão abrangente quanto um jogo da seleção na Copa do Mundo e possamos andar sem retrovisores, talvez.
junho 16, 2010 2 comentários 135 Visualizações
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Híbridos

1

por Alexandra Deitos junho 14, 2010
Sair da zona de conforto por vezes pode ser cair na própria zona de conforto. O orgulho de não ter orgulho pode por vezes ser o pior de todos os orgulhos. Ninguém pode lutar com um desejo e também todos devem lutar com os desejos.
Se a mistura resulta em corrente de água, em sopro de ventania, em luz de fogueira, em terra de plantio… por que perder vida questionando o inquestionável… não faça sentido, não busque fazer.
A contradição está ali, e o que eu sinto é inerente a tudo.
Por mais que julguemos conhecimento, julguemos controle, julguemos certezas e incertezas, julguemos policiamento, sentir está do outro lado do vidro. Dentro do vagão do metrô ou fora, mas sempre do outro lado do vidro.
Eu quero quase sem querer.
“Internamente, talvez nada nos ataque de verdade, além de nossa própria confusão. Talvez não exista um obstáculo sólido, além da própria necessidade de proteger-se contra ser atingido.” Pema Chödrön
junho 14, 2010 1 comentário 118 Visualizações
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Lirismos

SIM, ELA

por Alexandra Deitos junho 10, 2010

era noite
da lua
(mais linda)
e
na tua
(claridade)
eu
me perdia
sem saber

junho 10, 2010 0 comentários 92 Visualizações
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Oi, sou Alexandra!

Você pode me conhecer como Xanda ou Alê. Dizem que somos a mesma pessoa, mas claramente somos duas, ou muitas mais. E aqui estou, ou estamos, e pretendo estar, cada vez mais inteira.

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