É preciso ser flor.
É preciso ser muitas.
Poucas coisas são precisas de ser.
Ao vento se dissipam as dores.
Mas preciso mesmo é ser muitas.
É florescer como for.

Nasci numa cidade interiorana do Rio Grande do Sul, onde vivi os primeiros anos da minha vida até terminar o ensino médio. Então, ainda menor de idade, saí de casa e vim parar na cidade de São Paulo, onde estou até hoje. Na área das Artes e Design me formei Bacharel em Têxtil e Moda pela Universidade de São Paulo | USP e Atriz pelo Teatro Escola Macunaíma, entre outras pequenas formações aqui e ali. Atuei na cena cultural através de projetos de light design e traje de cena por mais de uma década, quando inesperadamente me encontrei no caminho com o mundo canino. Estudei Comportamento Animal e o uso de metodologias educativas com enfoque Positivo e de Bem-estar Interespécies com Dante Camacho, Tudo de Cão, Universidade de Edimburgo, entre outros. Fundei a Pompom's House. Um espaço de hospedagem, convivência e socialização canina, onde, no momento, exploro minha experiência em Educação e Comunicação Canina, Manejo de Grupo e Diretrizes para Sociabilização. Você pode me conhecer de um desses períodos da minha vida. Ou, ter acabado de saber da minha existência nesse mundão. Não importa. Fico feliz que estejas aqui, e espero que algo do que eu compartilho seja troca e partilha contigo.
É carnaval no Brasil. Para uma brasileira passar esse período em qualquer outro lugar do mundo me parece algo que com certeza causa sensações adversas. Sabemos que há muitas pessoas que não se identificam com o formato da festa brasileira, mas nem acho que precise se identificar para sentir a diferença e se impactar com ela estando fora de sua terra natal.
Em Portugal há um “carnaval tradicional”, assim como várias outros países também possuem suas tradições e festejos que acabam sendo carnavais. Diz-se carnaval, mas configuram dentro das festividades que são chamadas de Tradições de Inverno. Acontecem na região norte do país, o tal Trás-os-montes, e são rituais ancestrais que celebram o solstício e a fertilidade.

Perdoem se eu estiver a dizer bobagens, pois conheci tudo isso ainda agora e estou a aprender sobre. Apenas arrisco-me a escrever um pouco, pois coincidentemente fui até Bragança exatamente no período da festividade dos Caretos de Podence.
Não tive a determinação necessária para ir até Macedo de Cavaleiros conferir os caretos de pertinho, muito frio e chuva me desmotivaram. Arrependo-me um pouco, mas aproveitei para me aprofundar na história ali por Bragança mesmo.


Havia um feira incrível de comidas típicas e alguns trajes típicos, principalmente as máscaras, estavam expostas. Além disso, no Centro de Fotografia Georges Dussaud havia uma exposição fotográfica incrível de Georges Dussaud sobre a Terra e os Camponeses em Trás-os-montes na década de 1980.






Dias depois da viagem passada, ainda a refletir e pensar sobre, dois filmes vieram também ao meu encontro compor o imaginário e aprendizados sobre as festividades dos caretos: O Diabo do Entrudo, um documentário de Diogo Varela Silva que retrata o feitio das máscaras dos caretos da região de Lazarim, e Restos do Vento, um filme de Tiago Guedes que utiliza os caretos como elemento ficcional.


Quem sabe em uma nova oportunidade eu vá vivenciar um pouco das festividades ainda mais de perto. A vontade cresceu, e ficou!
Entre a vontade de espalhar no feed do Instagram algumas fotos da viagem pela França e o cansaço de reduzir a experiência há algumas imagens bonitas que não contemplam o todo, resolvi fazer uma coletânea caótica, meio perdida no personagem, para regressar a este blog esquecido.



Há tanto que acontece fora dos stories ou do feed das redes sociais. Tanto que, quanto mais ativa me coloco nelas, mais o mundo cresce lá fora, silencioso e fértil, além da moldura. Sinto isso como uma clareza ofuscante enquanto procuro um novo-velho enquadramento. Há sempre algo que cresce em segredo, como um iceberg que se alonga sob a superfície do visível. E, pelo gosto do exercício de ampliar a respiração ante o sufocamento, tento divagar sobre aquilo que não se vê tão facilmente.


A experiência de uma viagem é sempre empolgante para mim. Me emociona positivamente em qualquer condição. Até hoje, pois nunca se sabe quando isso pode deixar de ser verdade, é claro.
A França, mais especificamente Paris, não era meu desejo primeiro, nem segundo, terceiro ou quarto, no que diz respeito aos lugares que tenho vontade de conhecer neste vasto mundo. Arrisco dizer, inclusive, que nunca havia cogitado essa viagem até então.
Em princípio, quando meu amigo comentou que gostaria de passar o final de ano em Paris, me empolguei, pois a proposta era fazermos a viagem de carro: saindo de Portugal, passando pelo interior da Espanha até chegar à França, num roteiro inspirador que logo comecei a imaginar e organizar.



Por motivos não muito claros nem lógicos, acabamos comprando as passagens de avião sem muito debate sobre essa mudança, de forma que tive minha primeira grande frustração. Em pouco tempo, a viagem que, no meu imaginário, seria uma road trip tornou-se uma viagem focada em pontos turísticos.



Aproveitei como possível, sem perder o espírito de viajante, e fui presenteada em muitos momentos pelas belezas da França, em especial pela neve que caiu como há tempos não caía em Paris.


Mas muitos percalços marcaram também essa viagem, questões mais subjetivas e que talvez eu ainda não saiba formular completamente. Foram vinte dias num período muito estimado pela reflexão e introspecção da passagem de ano, intercalada às comemorações e festividades do mesmo. Essa ambiguidade esteve presente o tempo todo: o estar no mundo e isolar-se dele.





A Europa está sempre em grande estima no mundo. A arte em museus também. Muito difícil é estar na contramão dessas opiniões e, ainda assim, transitar por esses espaços bela e feliz. Contradições difíceis de formular. Detalhes me chamam a atenção em intervalos entre o monumental e o trivial. Quando possível, busco o silêncio por trás do frenesi.



Paris me ofereceu brechas na minha busca para dentro de mim. Fendas sutis no tempo, no olhar, na rotina. Pequenas aberturas por onde pude me esgueirar para dentro de mim mesma, longe da pressão de ser turista, de ter que admirar o que todos admiram, de sorrir diante do que se espera que encante. Brechas estas que talvez tenham salvo a viagem do turismo puro e me devolvido um pouco à condição de viajante.



Coisas que só encontram forma depois, em silêncio, com tempo, com palavras lentas. Como estas. Assim, é importante agradecer aos detalhes que fazem esse caminho de abertura e, principalmente, às francesas (naturalizadas, sim, e justamente por isso mais importante para mim) que me permitiram adentrar um pouco mais no cotidiano de Paris.


Quanto a Europa, até agora ela me deu dois espetáculos inesperados e fantásticos: a neve e o terremoto. Um branco, outro bruto. Ambos me lembram que o chão e o céu nunca estão tão firmes quanto imaginamos. E talvez seja justamente nessa instabilidade que reside a possibilidade de nos deslocarmos. Não apenas no espaço, mas dentro de nós mesmos.





Eumorpha labruscae, uma esfinge berrante
Floresta amazônica, 2024
Eumorpha labruscae é uma mariposa da família Sphingidae.
Já tivemos muitas dessa família por aqui, mas nenhuma tão grande e de cor tão chamativa.
Foi fotografada por Miguel Deitos na Bolívia.


Gafanhoto, um inseto de grandes coxas
Floresta amazônica, 2024
Os gafanhotos são os insetos pertencentes à subordem Caelifera da ordem Orthoptera, caracterizados por terem o fémur das pernas posteriores muito grandes e fortes o que lhes permite deslocarem-se aos saltos.


Philaethria, uma borboleta no pé de maracujá
Floresta amazônica, 2024
Philaethria é uma borboleta neotropical da família Nymphalidae. A borda inferior de suas asas posteriores é uniformemente dentada, ao contrário de seu mímico, Siproeta stelenes, com quem a confundi num primeiro momento. Mas o fato dela estar no pé de maracujá entregou sua identidade, ela é a terrível lagarta que destrói plantações de maracujá.


Bruxa, uma mariposa não identificada
Floresta amazônica, 2024
Embora o google fotos tenha insistido em dizer que essa era a espécie Ascalapha odorata, conhecida popularmente como bruxa pelas cores e desenhos, não tenho como concordar pois em muito difere no desenho das asas. Porém não consegui identificar ela de outra forma, então segue sem identificação.


Polybia, uma vespa de picada doida
Floresta amazônica, 2024
Vespidae é uma grande e diversificada família de vespas, com cerca de 5000 espécies, que inclui quase todas as vespas eussociais e muitas das vespas com hábitos solitários. No Brasil, são também chamados de marimbondos, maribondos ou cabas.
Acredito que as registradas aqui sejam alguma espécie de Polybia, por seu tamanho, estilo de casa e desenho peculiar do corpinho.


Philaethria, as lagartas do maracujá
Floresta amazônica, 2024
Philaethria é uma borboleta neotropical da família Nymphalidae. Sua lagarta se alimenta muito comumente de folhas do pé de maracujá. Aqui em casa, retiramos elas diariamente e levamos para longe do pé, mas receio que não adianta muito.
