Trás-os-montes

por Alexandra Deitos

É carnaval no Brasil. Para uma brasileira passar esse período em qualquer outro lugar do mundo me parece algo que com certeza causa sensações adversas. Sabemos que há muitas pessoas que não se identificam com o formato da festa brasileira, mas nem acho que precise se identificar para sentir a diferença e se impactar com ela estando fora de sua terra natal.

Em Portugal há um “carnaval tradicional”, assim como várias outros países também possuem suas tradições e festejos que acabam sendo carnavais. Diz-se carnaval, mas configuram dentro das festividades que são chamadas de Tradições de Inverno. Acontecem na região norte do país, o tal Trás-os-montes, e são rituais ancestrais que celebram o solstício e a fertilidade.

Foto retirada do site www.caretosdepodence.pt

Perdoem se eu estiver a dizer bobagens, pois conheci tudo isso ainda agora e estou a aprender sobre. Apenas arrisco-me a escrever um pouco, pois coincidentemente fui até Bragança exatamente no período da festividade dos Caretos de Podence.

Não tive a determinação necessária para ir até Macedo de Cavaleiros conferir os caretos de pertinho, muito frio e chuva me desmotivaram. Arrependo-me um pouco, mas aproveitei para me aprofundar na história ali por Bragança mesmo.

Havia um feira incrível de comidas típicas e alguns trajes típicos, principalmente as máscaras, estavam expostas. Além disso, no Centro de Fotografia Georges Dussaud havia uma exposição fotográfica incrível de Georges Dussaud sobre a Terra e os Camponeses em Trás-os-montes na década de 1980.

Dias depois da viagem passada, ainda a refletir e pensar sobre, dois filmes vieram também ao meu encontro compor o imaginário e aprendizados sobre as festividades dos caretos: O Diabo do Entrudo, um documentário de Diogo Varela Silva que retrata o feitio das máscaras dos caretos da região de Lazarim, e Restos do Vento, um filme de Tiago Guedes que utiliza os caretos como elemento ficcional.

Imagens de divulgação dos filmes

Quem sabe em uma nova oportunidade eu vá vivenciar um pouco das festividades ainda mais de perto. A vontade cresceu, e ficou!

Deixe um comentário

Você pode gostar