Cheiro de iogurte. Cheiro de camomila. Cheiros de inverno.
A rádio toca melodias de primavera, mas estamos no verão.
Às vezes eu vejo a cidade passando lentamente. Eu gosto.
Não desmereço o cinza. Não ignoro as manchas na fotografia.
Ventos de outono assobiam como crianças num pátio colorido.
Nada de isto ou aquilo, nenhum dilema. Algumas somatórias.
O telefone toca quando é preciso. O azul pode ser verde.
Sabor de simplicidade. Sabor de infinito. Sabores das estações.
Alexandra Deitos
Alexandra Deitos
Nasci numa cidade interiorana do Rio Grande do Sul, onde vivi os primeiros anos da minha vida até terminar o ensino médio. Então, ainda menor de idade, saí de casa e vim parar na cidade de São Paulo, onde estou até hoje. Na área das Artes e Design me formei Bacharel em Têxtil e Moda pela Universidade de São Paulo | USP e Atriz pelo Teatro Escola Macunaíma, entre outras pequenas formações aqui e ali. Atuei na cena cultural através de projetos de light design e traje de cena por mais de uma década, quando inesperadamente me encontrei no caminho com o mundo canino. Estudei Comportamento Animal e o uso de metodologias educativas com enfoque Positivo e de Bem-estar Interespécies com Dante Camacho, Tudo de Cão, Universidade de Edimburgo, entre outros. Fundei a Pompom's House. Um espaço de hospedagem, convivência e socialização canina, onde, no momento, exploro minha experiência em Educação e Comunicação Canina, Manejo de Grupo e Diretrizes para Sociabilização. Você pode me conhecer de um desses períodos da minha vida. Ou, ter acabado de saber da minha existência nesse mundão. Não importa. Fico feliz que estejas aqui, e espero que algo do que eu compartilho seja troca e partilha contigo.
Perdão.
Numa noite qualquer de confuso glamour.
Estando-se precavido para o combate, haverá combate.
Com a pertinência que certos aforismos nos dão.
Eu respirei uma palavra.
Perdão.
Perdão por respirar.
Eu aspirei e expirei, e eu expectativei.
Sempre o insistente.
Perdão.
Falta de opinião diante de todo o imediato.
Falta de perdão no confuso glamour do aforismo combatente.
Com a pertinência do que é relevante.
Perdão.
Alexandra Deitos
profundamente.
Enchendo o olho do azulas imagens presentes em ENSAIO AO ENGENHO, entre 2007 e 2014, são em partes de minha autoria e outras retiradas do google imagens durante o período citado. portanto, pode ocorrer que alguma imagem não esteja devidamente creditada. Assim, se você viu alguma imagem de sua autoria, ou sabe de quem seja, por favor, deixe um comentário ou entre em contato para que eu possa dar os devidos créditos ou então substituir a imagem, se assim for necessário.
sobre alguma coisa fugidia que marcou um tempo que debandou as cartas para entender Pandora
Ele sorria sorrisos doces e singelos, quase como se fosse um amor de literatura. Era apenas o primeiro encontro, a primeira interação daqueles corpos desconhecidos. Uma sintonia doce, doce até o extremo âmago do sorriso singelo. Era tudo de um amor sobre humano, e era só paixão – não parecia de forma alguma compreensível ao padrão.
Talvez pela primeira vez ela tenha se perguntando sobre o nome e rótulo que as coisas adquirem para poderem assim ser aceita dentro de delimitações, como amor e paixão. Como se coisas tão amplas pudessem ser delimitas, pensou de fato, talvez, pela primeira vez.
Os dedos, as caricias, percorrendo tudo até a alma – sentimento puro! Sensação única, inocente, visceral, longitudinal, carnal, espiritual, única. Não podia ser mais nada além de amplamente único.
(sim, depois do experimento com o Humberto agora faço o mesmo com as músicas do Teatro Mágico… sintaxe a vontade…)
Pra onde foi a coragem do meu coração?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Será que a sorte virá num realejo?
Quem surgiu primeiro, o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Pra onde vai a reza cortada por sono?
Minha fé em pó solúvel… Ela vale? Me fale… Me de um sinal!
E se tudo que eu preciso se parece,
por que é que não se junta tudo numa coisa só?
O dia mente a cor da noite e o diamante a cor dos olhos.
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente.
A maioria das pessoas passa de oito a doze horas por dia
fazendo coisas que não fazem sentido na vida delas.
Eu sou uma delas!
Então de ontem em diante serei o que sou no instante agora
porque a gente nunca sabe do que vai gostar
e o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar.
Para eles tudo é capaz de ser impossível. Eu acredito que tudo é capaz de ser lindo!
Tanto faz não satisfaz o que preciso
e se antes, um pedaço de maçã, hoje quero a fruta inteira
Um sol, com a cabeça na lua. A lua que gira, que gira, que girassol
Falta tanta coisa pra dizer… que nunca consigo.
Sobra tanto espaço dentro do abraço!
dia 14 inicia o ano do Tigre
dia 15 é o aniversário de uma grande amiga
dia 11 é o aniversário de outro amigo
dia 19 é aniversário do meu irmão
dia 16 é carnaval
fevereiro é o mês 2
e tem só 28 dias esse ano
dia 18 é o último dia da peça
dias 6 e 7 foi a festa dos Deitos
dia 6 minha mãe me ligou as 6h da manhã
dia 4 foi aniversário da caixinha de leite
dia 12 não tenho ensaio
dia 5 foi o fechamento de um ciclo lá na empresa
dia 8 começou um novo ciclo lá na empresa
hoje é dia 9
9 é cíclico
fevereiro de 2010 acaba em 5
09.02.2010 também acaba em 5
O cara de Lost disse feche os olhos e conte até 5.
Ok, eu vou tomar 5 sorvetes!
Alguém reparou como as pessoas não se conquistam mais? Como as pessoas não estão mais dispostas a lutar por uma relação? Não compartilham, não estabelecem quereres, não abusam de intensidades. A política do menor esforço e do “deixa a vida me levar” são as que reinam. A máxima agora é “eu sou assim e ponto, não vou mudar por nada nem por ninguém. Eu fico com quem estiver afim de mim, afinal o que não falta é gente disposta a curtir o momento.”
E eu tenho um absurdo medo dessa visão de vida… eu tenho medo. Não que eu ache que tenhamos que promover mudanças a todos os momentos, dependendo do que o outro quiser da gente, mas devemos mudar, sim, numa construção constante do que somos – não nascemos e nem estaremos prontos nunca, não somos isso e ponto final. Assim como também não acho que as coisas são eternas, vivemos sem dúvida alguma de momentos, porém isso não significa viver os momentos bons e no primeiro declive é só mudar o trajeto e tudo bem. Cadê a luta pelo transpor?
Acho de uma tamanha falta de amor próprio essa de relacionar-se com quem “estiver dando sopa”. Uma carência tão grande essa de ficar com alguém que está disponível para só depois talvez tentar conhecer – quando muito acontece de fato de haver o interesse em conhecer, porque o que acaba acontecendo é o falso interesse de conhecer para apenas ter alguém que vá suprir sua carência e alimentar o seu ego. É como se as relações perdessem a magnitude da partilha, da troca, da vivência e passassem a ser meros objetos para o comodismo.
Claro que, ainda consigo não apenas iludir-me, sei que nada pode ser total – descaso ou obsessão. Mas qual o problema de sermos intensos no que nos propomos? Isso tanto para relacionamentos ou objetivos de vida. Porque não viver além do simples existir?
É tão gratificante e bonito quando você se interessa por alguém e dedica-se a um conhecer e amar sem ter certeza nenhuma se você terá mesmo a oportunidade de se relacionar de fato – é tão gostoso essa dedicação sem espera de reciprocidade. É tão maravilhoso escolher o que quer para você e ter paciência de não desviar o caminho na primeira curva com uma possibilidade que não exija esforços. É ótimo amar e admirar alguém sem um pressuposto que o não da outra parte acabe com o seu sentimento.
Poxa… buscar! Buscar não é acertar. Não é ser perfeito, nem de forma nenhuma “deixa a vida me levar”. Buscar é se permitir escolher, ter objetivos. Se permitir errar. Esquecer completamente o que os outros esperam de você, e esquecer ainda mais completamente o que você espera dos outros. Simplesmente não medir intensidades em compartilhar uma caminhada.
