Alexandra Deitos
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Autor

Alexandra Deitos

Alexandra Deitos

Nasci numa cidade interiorana do Rio Grande do Sul, onde vivi os primeiros anos da minha vida até terminar o ensino médio. Então, ainda menor de idade, saí de casa e vim parar na cidade de São Paulo, onde estou até hoje. Na área das Artes e Design me formei Bacharel em Têxtil e Moda pela Universidade de São Paulo | USP e Atriz pelo Teatro Escola Macunaíma, entre outras pequenas formações aqui e ali. Atuei na cena cultural através de projetos de light design e traje de cena por mais de uma década, quando inesperadamente me encontrei no caminho com o mundo canino. Estudei Comportamento Animal e o uso de metodologias educativas com enfoque Positivo e de Bem-estar Interespécies com Dante Camacho, Tudo de Cão, Universidade de Edimburgo, entre outros. Fundei a Pompom's House. Um espaço de hospedagem, convivência e socialização canina, onde, no momento, exploro minha experiência em Educação e Comunicação Canina, Manejo de Grupo e Diretrizes para Sociabilização. Você pode me conhecer de um desses períodos da minha vida. Ou, ter acabado de saber da minha existência nesse mundão. Não importa. Fico feliz que estejas aqui, e espero que algo do que eu compartilho seja troca e partilha contigo.

Contos-quase

ID

por Alexandra Deitos março 5, 2010
Ela caminhava com um sorriso diferente no rosto. Sua vida não era mais a mesma, mas ainda era a sua vida. Como uma ventania que varre todas as coisas leves das ruas, ela passava levantando o leviano e deixando intacto apenas o conciso. Era meados de outono, mas poderia ser qualquer outra época. Os passos não possuíam ritmo. O trajeto era experimental. Levava uma bolsa de retalhos coloridos, não é possível afirmar se grande ou pequena. Quem conseguia a ver passar afirmava que o sorriso esparramava-se por ela toda. Alguns possuíam a certeza que ela chorava com as costas, quando deitava ou encostava-se em alguma parede. Agora a pouco falaram que a viram passar, parecia a mesma de todos os relatos. Alguém comentou de um corte de cabelo e uns óculos, mas ao que tudo indica a vida ainda era a sua.
março 5, 2010 1 comentário 110 Visualizações
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Lirismos

MEMÓRIAS

por Alexandra Deitos março 4, 2010

Cheiro de iogurte. Cheiro de camomila. Cheiros de inverno.
A rádio toca melodias de primavera, mas estamos no verão.
Às vezes eu vejo a cidade passando lentamente. Eu gosto.
Não desmereço o cinza. Não ignoro as manchas na fotografia.
Ventos de outono assobiam como crianças num pátio colorido.
Nada de isto ou aquilo, nenhum dilema. Algumas somatórias.
O telefone toca quando é preciso. O azul pode ser verde.
Sabor de simplicidade. Sabor de infinito. Sabores das estações.

março 4, 2010 2 comentários 141 Visualizações
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Rítmicos desenhos

Embalo

por Alexandra Deitos março 2, 2010

Perdão.

Numa noite qualquer de confuso glamour.

Estando-se precavido para o combate, haverá combate.

Com a pertinência que certos aforismos nos dão.

Eu respirei uma palavra.

Perdão.

Perdão por respirar.

Eu aspirei e expirei, e eu expectativei.

Sempre o insistente.

Perdão.

Falta de opinião diante de todo o imediato.

Falta de perdão no confuso glamour do aforismo combatente.

Com a pertinência do que é relevante.

Perdão.

março 2, 2010 0 comentários 100 Visualizações
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De açúcar e de álcool

Como poesia

por Alexandra Deitos fevereiro 24, 2010
A poesia que passa por mim, que eu respiro, que eu toco, que eu degusto, que eu vejo, que eu ouço… Será que ela também passa por você?
São coisas tolas que me inquietam.
Dizem que as sensações não podem ser comparadas. Que não existem parâmetros para definir sensações entre pessoas distintas. Será que isso é fato mesmo?
Como eu desejo.
Quando aquele arco-íris de cores múltiplas entra na minha pele, quando aqueles aromas indefiníveis me levam a outros mundos, quando a boca seca da falta de silêncio ou de acúmulo de palavras que não saem, e quando escutar passa a ser de uma atenção total e meus olhos não sabem mais o que ver em meio a tantas belezas.
Enquanto tudo me leva ao êxtase saboroso e inexplicável da poesia mais adocicada, o que será que passa por você? O que será?
Eu descomponho-me. Deliro. Eu necessito saber. O que passa por você? Como passa por você?
Coisas diretas nunca obtidas.
Percebo que não posso perguntar. São coisas maiores. A grandiosidade da poesia que me transpassa me impede de conseguir tocar no assunto. Será que acontece o mesmo com você?
Dizem que a poesia é tola. Que a poesia nutre-se de tolices para iludir o próprio poeta. Penso que tolices tolas só são existentes para quem não vive a terceira margem. Será que, como eu, você se entrega as ondulações da vida?
As regras estipulam fases e situações. Também delimitam ordem para essas fases, bem como finais. Tudo predeterminado, todos os estágios. Como se sentir fosse racional. Como se a poesia necessitasse de estruturas e rimas para existir.
Sentir que é diferente.
Saber que o tempo é sempre exato, que a estrutura pode ter fases aleatórias e que tudo isso vira uma poesia orgânica, fluida. Muito mais linda. Muito mais sincera. Será que isso passa da mesma forma por você?

Alexandra Deitos

fevereiro 24, 2010 1 comentário 128 Visualizações
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Lirismos

ONDA

por Alexandra Deitos fevereiro 22, 2010
Se uma onda me arrebatar,
eu vou!
Degustando todo o sal do mar.
Mergulhando
profundamente.
Lá onde estão as maiores belezas.

Enchendo o olho do azul
verde avermelhado.
Não há canto de sereia
porque a onda chega na areia
 
límpida e sem espuma.
Num rumo sem rumo ao mar,
eu vou!
 

as imagens presentes em ENSAIO AO ENGENHO, entre 2007 e 2014, são em partes de minha autoria e outras retiradas do google imagens durante o período citado. portanto, pode ocorrer que alguma imagem não esteja devidamente creditada. Assim, se você viu alguma imagem de sua autoria, ou sabe de quem seja, por favor, deixe um comentário ou entre em contato para que eu possa dar os devidos créditos ou então substituir a imagem, se assim for necessário.
fevereiro 22, 2010 2 comentários 141 Visualizações
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Interferências

A LUZ É COMO ÁGUA

por Alexandra Deitos fevereiro 18, 2010
por Gabriel García Márquez

Certa noite, em Barcelona, acabou a luz, e era sábado. Não sei por quê, os fusíveis sempre queimam num sábado. Por sorte, na Espanha, era menos problemático, porque conhecíamos um eletricista – lá, eles chamam de lampista. Então, chamamos o lampista. Estávamos com visitas, acho até que havia alguns mexicanos – sempre havia mexicanos, coisa que me alegra muito -, e já era tarde e o lampista não chegava nunca. Finalmente chegou e começou a trabalhar, lá pelas 10 ou 11 da noite, e eu disse a ele: “Mas o que está acontecendo com a luz? Porque acabou a luz?”. Ele respondeu: “A luz é como a água”. Nesse momento me veio a idéia para um dos contos, que acho o mais belo de todos. Ele me disse “a luz é como a água” e eu não perguntei mais nada, fiquei pensando e naquele momento veio o conto inteiro, inteirinho, que é assim: dois meninos, um de sete e outro de seis anos, moram, por exemplo, na Cidade do México, onde não tem mar. E eles dizem ao pai: “Queremos ganhar um bote de remos”. O pai responde: “Está bem, vamos dar um bote com remos, muito bem, mas quando a gente for para Acapulco, ou para…”. Eles interrompem: “Não, queremos um bote aqui, na avenida Insurgentes 415, no décimo quinto andar”. “Vocês estão loucos! Primeiro,não cabe. E depois, para quê a gente vai comprar um…? “. E os meninos insistem: “Não, não, queremos aqui mesmo o bote de remos!”. Eles discutem, os meninos tornam a insistir, e o pai diz: “Se vocês forem os primeiros da classe eu compro o bote”. Os meninos, que eram sempre os últimos, acabaram tirando primeiro lugar, e o pai diz a eles: “Muito bem, aqui está o bote. O problema é que não cabe no elevador”. Mas acabam levando o bote lá para cima, e o pai então diz: “Aqui está o bote de remos. E agora?”. “Agora, nada”, dizem os meninos. Levam o bote e os remos para o quarto, e dizem: “A gente queria o bote, e pronto”. A mãe e o pai vão ao cinema, e então os meninos fecham bem as janelas. Quebram uma lâmpada e começa a jorrar luz, e eles enchem o apartamento de luz até um metro de altura. “A luz é como a água”, veja você. Então tampam a lâmpada, tiram o bote de remos e começam a remar na luz pelos dormitórios, pela cozinha, pelos banheiros, e os pais lá no cinema, e quando os pais voltam eles abrem a porta do banheiro e começam a deixar a luz ir embora pela banheira. Ninguém notou o que aconteceu, e fica tudo em ordem, e os dois vão se aperfeiçoando. Os meninos ficam em casa e compram óculos escuros e equipamento de mergulho. Quando os pais vão a uma festa eles já não deixam a luz chegar até um metro de altura, e sim um pouco mais alto, e fazem pesca submarina por debaixo das mesas, das camas, é uma farra total. E certa noite, uns dois ou três meses depois, as pessoas passam pela avenida Insurgentes Sur e vêem que do décimo quinto andar está jorrando luz pelas janelas, e chamam os bombeiros e dizem: “está jorrando luz do décimo quinto andar, a avenida está inundando”. Os automóveis estão cobertos de luz, e as pessoas sentem pânico, e os bombeiros chegam, sobem até o décimo quinto andar, e descobrem que os meninos se divertiam tanto que deixaram a lâmpada aberta, a luz chegou até o teto, e eles se afogaram. Estão afogados na luz, estão flutuando. Porque o lampista me disse que “a luz é como a água” e eu disse a ele “não me conte mais nada”, do jeito que estou contando agora.
fevereiro 18, 2010 1 comentário 120 Visualizações
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De açúcar e de álcool

sobre alguma coisa fugidia que marcou um tempo que debandou as cartas para entender Pandora

por Alexandra Deitos fevereiro 15, 2010

Ele sorria sorrisos doces e singelos, quase como se fosse um amor de literatura. Era apenas o primeiro encontro, a primeira interação daqueles corpos desconhecidos. Uma sintonia doce, doce até o extremo âmago do sorriso singelo. Era tudo de um amor sobre humano, e era só paixão – não parecia de forma alguma compreensível ao padrão.
Talvez pela primeira vez ela tenha se perguntando sobre o nome e rótulo que as coisas adquirem para poderem assim ser aceita dentro de delimitações, como amor e paixão. Como se coisas tão amplas pudessem ser delimitas, pensou de fato, talvez, pela primeira vez.
Os dedos, as caricias, percorrendo tudo até a alma – sentimento puro! Sensação única, inocente, visceral, longitudinal, carnal, espiritual, única. Não podia ser mais nada além de amplamente único.

fevereiro 15, 2010 1 comentário 116 Visualizações
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Poemas-quase

DICOTOMIA

por Alexandra Deitos fevereiro 11, 2010

avantajou-se na areia um seio
desnudo,
solitário,
complacente,
poético,
depois veio o mar e o escondeu

fevereiro 11, 2010 1 comentário 118 Visualizações
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Interferências

Teatro Mágico

por Alexandra Deitos fevereiro 11, 2010

(sim, depois do experimento com o Humberto agora faço o mesmo com as músicas do Teatro Mágico… sintaxe a vontade…)

Pra onde foi a coragem do meu coração?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Será que a sorte virá num realejo?
Quem surgiu primeiro, o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Pra onde vai a reza cortada por sono?
Minha fé em pó solúvel… Ela vale? Me fale… Me de um sinal!
E se tudo que eu preciso se parece,
por que é que não se junta tudo numa coisa só?
O dia mente a cor da noite e o diamante a cor dos olhos.
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente.
A maioria das pessoas passa de oito a doze horas por dia
fazendo coisas que não fazem sentido na vida delas.
Eu sou uma delas!
Então de ontem em diante serei o que sou no instante agora
porque a gente nunca sabe do que vai gostar
e o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar.
Para eles tudo é capaz de ser impossível. Eu acredito que tudo é capaz de ser lindo!
Tanto faz não satisfaz o que preciso
e se antes, um pedaço de maçã, hoje quero a fruta inteira
Um sol, com a cabeça na lua. A lua que gira, que gira, que girassol
Falta tanta coisa pra dizer… que nunca consigo.
Sobra tanto espaço dentro do abraço!

fevereiro 11, 2010 0 comentários 98 Visualizações
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Anomalias

fevereiro

por Alexandra Deitos fevereiro 9, 2010

dia 14 inicia o ano do Tigre
dia 15 é o aniversário de uma grande amiga
dia 11 é o aniversário de outro amigo
dia 19 é aniversário do meu irmão
dia 16 é carnaval
fevereiro é o mês 2
e tem só 28 dias esse ano
dia 18 é o último dia da peça
dias 6 e 7 foi a festa dos Deitos
dia 6 minha mãe me ligou as 6h da manhã
dia 4 foi aniversário da caixinha de leite
dia 12 não tenho ensaio
dia 5 foi o fechamento de um ciclo lá na empresa
dia 8 começou um novo ciclo lá na empresa
hoje é dia 9
9 é cíclico
fevereiro de 2010 acaba em 5
09.02.2010 também acaba em 5
O cara de Lost disse feche os olhos e conte até 5.
Ok, eu vou tomar 5 sorvetes!

fevereiro 9, 2010 1 comentário 135 Visualizações
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Oi, sou Alexandra!

Você pode me conhecer como Xanda ou Alê. Dizem que somos a mesma pessoa, mas claramente somos duas, ou muitas mais. E aqui estou, ou estamos, e pretendo estar, cada vez mais inteira.

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