Uma pessoa dorme abraçada com um saco de lixo junto ao concreto umedecido pelo sereno da madrugada.
Uma criança caminha pelos becos traiçoeiros e fedorentos com um cigarro como companhia.
Esses dias eu vi um homem sem umbigo, jogado ao chão junto com outros tantos homens e seus umbigos.
Seria isso possível?
São imagens que me assaltam enquanto eu insisto em pensamentos egoístas.
O sono faz-me melancólica, confusa e neurótica, outros tantos por tantas outras coisas.
Tudo é nada, sempre foi e sempre será. Escorre pelas mãos o gosto do que seja.
Somos milhares, em todas as esquinas, em todas as padarias comendo o pão de cada dia ou nem…
E será que só uma palavra pode mesmo alguma coisa?
Alexandra Deitos

